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quarta-feira, 7 de março de 2012

Dor


Só sabe o que é a dor aquele que a está sentindo. 
Passada a dor, ela fica na memória.
Passa a morar no passado.

GOSTO DA ADÉLIA PRADO por várias razões. É poeta. Tem o jeitão mineiro. E é teóloga. Sempre que ela fala sobre os mistérios do mundo sagrado eu me calo e medito. Quase sempre as palavras dela iluminam as minhas dúvidas. Sugestão para algum estudante que esteja à procura de tema para dissertação: “A Teologia da Adélia Prado”…

Mas hoje peço perdão. Discordo do que ela escreveu. Estava falando sobre a coisa mais terrível que há no mundo, o demônio, e foi isso, mais ou menos, o que ela escreveu. Digo “mais ou menos” porque não sei de cor e não posso consultar os livros dela que estão encaixotados, prontos para uma mudança, que julgo, será a última… Foi isso que acho que ela disse: “O céu será igualzinho a essa vida, menos uma coisa: o medo…” Tanta coisa boa! Não é preciso mais nada. O que está aí chega. Precisa só tirar uma coisa, uma única coisa, e a Terra se transformará no céu. Qual é o nome dessa coisa terrível? Ela responde: o medo.

Concordo. Mas acho que tem coisa pior, que é a causa de todos os medos: a dor. Nunca tive medo de cálculo renal. A despeito de nunca ter tido medo, ele veio, sem pedir licença e sem consultar se eu tinha medo ou não. Foi assim que conheci pela primeira vez a dor do inferno. Cessam todos os pensamentos. O corpo só deseja uma coisa: parar de sentir dor, a qualquer preço.

Dor não tem jeito de explicar. Bernardo Soares diz que tudo o que é sentimento é inexplicável. O artista, para comunicar seus sentimentos inexplicáveis, se vale de um artifício: invoca um sentimento “parecido”.
De que comparação vou me valer para explicar a dor a alguém que não a está sentindo? Só sabe o que é a dor aquele que a está sentindo, no presente. Enquanto a dor está doendo, meu corpo -não minha cabeça- sabe o que ela é. Passada a dor, ela fica na memória. Passa a morar no passado. Mas isso que está na memória não é conhecimento da dor porque o passado não dói. A memória da dor, por terrível que tenha sido, não me dá conhecimento da dor, depois que ela se foi.

Minha memória mais antiga de dor me leva de volta à roça onde vivi quando menino. Lembro-me, mas não sinto. Acho até engraçado. Era dor de dente. A dor fazia ele inchar até ficar do tamanho do universo- e eu, chorando, sem saber contar a minha dor, dizia que tinha inveja das galinhas que não tinham dentes… Foi meu primeiro encontro.

Mais tarde ela voltou sem se anunciar. Não a mesma. Cada dor é única. Chegou bruta, definitiva. Lutei usando as armas que se compram nas farmácias. Inutilmente. Levaram-me (nesse ponto eu já não era dono de mim mesmo; estava à mercê dos outros) então para o hospital. As injeções são mais potentes que os comprimidos. Aplicaram-me seis Buscopan. A dor não tomou conhecimento. Ficou mais forte. Comecei a vomitar. O médico, reconhecendo a derrota dos recursos penúltimos, dirigiu-se à enfermeira e disse o nome do último, nenhum mais forte: “Aplica uma Dolantina nele…”

Ela aplicou. Passados cinco minutos, senti a mais deliciosa sensação que tive em toda minha vida. Não era sensação de nada. Que me importava música, sexo ou flores? Era simplesmente a sensação de não ter dor. Pensei se essa euforia não deveria ser o estado normal da alma, sempre que o corpo não estivesse sentindo dor… Rindo e feliz, brinquei que o Paraíso morava dentro de uma ampola de Dolantina…

RUBEM ALVES

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Tristeza Construtiva

Leitura Bíblica: 2Coríntios 7.8-11

Princípio 4: Unilateralmente e abertamente analiso e confesso todas as minhas falhas a mim mesmo, a Deus e a alguém de minha confiança.

Passo 4: Fizemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.


Todos temos de lutar contra a tristeza. Podemos tentar escondê-la ou ignorá-la. Podemos afogá-la rendendo-nos à nossa adicção; ou lidemos com ela de maneira racional para não senti-la. Mas a tristeza não vai embora. Precisamos aceitar que a tristeza fará parte do processo ao fazer o inventário.

Nem sempre a tristeza é algo ruim para nós. O apóstolo Paulo tinha escrito uma carta ao crentes Coríntios. Essa carta provocou muita tristeza porque confrontou os coríntios com algo errado que estavam fazendo. A princípio, ficou com pena, pensando que os tinha machucado, mas, depois, disse: "Mas agora estou alegre, não porque vocês ficaram tristes, mas porque aquela tristeza fez com que vocês se arrependessem. Aquela tristeza foi usada por Deus, e assim nós não causamos nenhum mal a vocês. Pois a tristeza que é usada por Deus produz o arrependimento que leva à salvação; e nisso não há motivo para alguém ficar triste. Mas as tristezas deste mundo produzem a morte. Vocês suportaram a tristeza da maneira que agrada a Deus... Em tudo isso vocês mostraram que não tiveram culpa naquele caso."(2Coríntios 7.9-11)

Jeremias disse: "Ele pode fazer agente sofrer, mas também tem compaixão porque o seu amor é imenso. Não é com prazer que ele nos causa sofrimento ou dor."(Lamentações 3.32-33)

A aflição dos coríntios foi boa, pois foi produto de uma honesta avaliação interna e não de uma mórbida autocondenação. Podemos aprender a aceitar nossa tristeza como um aspecto positivo da recuperação e não como um castigo.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Acreditando na Recuperação

Leitura Bíblica: Romanos 1.18-20

Princípio 2: Acredito de todo o coração que Deus existe, que ele se importa comigo e que tem o poder de me ajudar em minha recuperação.

Passo 2: Acreditamos que um Poder Superior a nós pode devolver-nos a sanidade.


Dizer que "viemos a acreditar" sugere um processo. Acreditar é o resultado de considerar, duvidar, raciocinar e concluir. A habilidade de dar boa forma a uma fé é parte do que significa ser feitos parecidos com Deus. Isso envolve emoção e lógica que nos leva à ação. Então, qual é o processo que nos leva a uma fé sólida e muda nossa vida?

Começamos com as nossas experiências pessoais e vemos o que é que não funciona. Quando examinamos a nossa própria condição, compreendemos que não temos poder suficiente para vencer a nossa dependência. Tentamos com todas as nossas forças, mas sem nenhum resultado. Quando estamos suficientemente tranquilos para escutar, ouvimos essa voz mansa e suave dentro de nós, que nos diz: "Existe um Deus e ele é extremamente poderoso."O apóstolo Paulo disse isso da seguinte maneira: "O que se pode conhecer a respeito de Deus está bem claro para elas (todas as pessoas), pois foi o próprio Deus que lhes mostrou isso"(Romanos 1.19).

Reconhecer as nossas fraquezas íntimas é o primeiro passo para a recuperação. Quando olhamos além de nós, descobrimos que há outros que lutaram contra uma adicção e se recuperaram. Sabemos que eles também eram incapazes de curar a si mesmos, porém, agora, vivem livres de suas condutas adictivas. Concluímos que deve haver um Poder Superior que os ajudou. Podemos ver a semelhanças entre as lutas dessas pessoas e as nossas e, com isso, chegamos ao conhecimento de que o nosso poderoso Deus pode nos restaurar a sanidade. Aqui é onde muitas pessoas se encontram quando se chega ao Passo Dois e, no caminho para a recuperação, esse é um bom lugar para estar.   

quarta-feira, 25 de março de 2009

O Paradoxo da Impotência

Leitura bíblica: 2Coríntios 4.7-10

Passo 1: "Admitimos ser impotentes diante de nossas feridas, dependências e comportamentos compulsivos e que nossas vidas se tornaram ingovernáveis".

     Talvez tenhamos medo de confessar que precisamos de força e que a nossa vida já está sem controle. Se reconhecêssemos que somos impotentes, por acaso não nos sentiríamos tentados a nos render completamente na luta contra a nossa fraqueza? Parece que não há sentindo em confessar a nossa impotência e, mesmo assim, encontrar poder para seguir adiante. Trataremos desse paradoxo quando passarmos pelos Passos Dois e Três.

     A vida está repleta de paradoxos. O apóstolo Paulo nos diz: "Porém nós que temos esse tesouro espiritual somos como potes de barro para que fique claro que o poder supremo pertence a Deus e não a nós. Muitas vezes ficamos aflitos, mas não somos derrotados. Algumas vezes ficamos em dúvida, mas nunca ficamos desesperados."(2COR 4.7-8).

     Essa ilustração mostra um contraste entre um tesouro precioso e um singelo recipiente no qual o tesouro está guardado. O poder vivente derramado em nossa vida do alto é o tesouro. O nosso corpo humano, com todos os seus defeitos e fraquezas, é o pote de barro. Como seres humanos, somos imperfeitos.

     Quando reconhecermos o paradoxo da impotência, poderemos sentir bastante alívio. Não temos de ser fortes sempre ou fingir que somos perfeitos. Podemos viver uma vida de verdade, com as suas lutas diárias, com um corpo humano assediado por fraquezas e, ainda, encontrar o poder do alto para seguir adiante sem estar angustiados nem desesperados.