terça-feira, 27 de outubro de 2009

Grupo de Ansiedade - Informativo 07


Idéias fixas e ansiedade


Por que existem idéias fixas presentes em quadros intensos de ansiedade, depressão e pânico e como as combater?


Na depressão as idéias fixas são presentes principalmente pelo negativismo, ou seja tudo está ruim, as coisas não vão dar certo, estou mal,... isto associa se a condição neurótica da própria patologia em que o Ego (Eu) está debilitado incapaz de reagir, o que é profundamente aumentado pela baixa da auto- estima.

No caso de pânico as idéias fixas tendem a beirar a questão do medo de passar mal ou de morrer, o que também conduz a mesma fragilidade de Ego.
Nestas doenças tentar determinar o fator etiológico da idéia fixa é impossível em termos gerais. O que irá reger todo este processo será a subjetividade imposta pela afetividade o que tornará cada caso singular e único.
O tratamento de idéias fixas será por meio de técnicas de relaxamento( vide o nosso Cd), concentração e da integração deste conteúdo presente na idéia fixa por via do simbólico e de sua assimilação pela personalidade. Isto se dá junto com o reforço de Ego e de toda sua reestruturação que é extremamente bem desenvolvido pela escola analítica de C. G. Jung.
Todavia vale ressaltar que há uma ligação direta entre a ansiedade e as idéias fixas por causa do que Jung postulou no passado como Complexos. Estes são conjuntos de idéias carregadas afetivamente. Quando um paciente é tomado por um Complexo autônomo , este mobilizará toda carga da energia psíquica para si. Por vezes as idéias fixas são apenas manifestações destes Complexos, apenas um sintoma de algo mais profundo que precisa ser confrontado.
Como exemplo vou citar um caso de um paciente que teve bulimia. A base de todas as suas crises era a alta ansiedade, que gerava a compulsão alimentar e desaguava na vontade de vomitar pela culpa de ter tido um hábito alimentar voraz. Ao tratarmos o referido rapaz que em seu passado havia sido um obeso, percebemos que em tudo na vida ele era voraz. E isto o retirava fora de si. Ele era tragado por seu ímpeto, sua voracidade que manifestava se em tudo de sua vida. Assim tal rapaz quando entrava em uma compulsão de sexo, mantinha relações com várias prostitutas em uma única semana gastando mais de 4 mil reais( 2006) cerca de 3 vezes o que ganhava. Critério de seleção algum usava, apenas o prazer pelo prazer.
Ao trabalharmos seu conteúdo inconsciente de modo mais intenso esbarramos com a questão de uma tremenda inferioridade que atuava como um complexo independente. Esta força deste complexo neste paciente gerava todas as compulsões, por uma alta ansiedade na busca de compensar o que ele não achava que tinha, o mecanismo de sua voracidade. Tal rapaz após dois meses de tratamento diminuiu sua compulsão em quatro meses houve a remissão dos sintomas e com um ano de tratamento recebeu alta.

Fonte: Instituto Olhos da Alma Sã

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Grupo de Ansiedade - Informativo 06

- Técnica da Meditação -

A meditação é uma atividade desenvolvida para manter a atenção focalizada no aqui e agora de uma maneira agradável. Seu objetivo não é necessariamente conseguir um estado de relaxamento mas permitir ficarmos totalmente absorvidos no que estamos fazendo. Abandonamos os controles conscientes sobre a nossa mente, deixamos de pensar em todas as coisas que necessitamos para sermos felizes ou em todas as coisas que poderiam roubar-nos a felicidade.

Uma vez que o indivíduo consegue este estado de meditação, provoca-se uma resposta natural de relaxamento e o indivíduo obtém a tranqüilidade.

A meditação básica consiste, simplesmente, em prestar atenção à realidade do aqui e agora. Para ajudar neste processo, pode-se manter a mente repetindo um monossílabo ou concentrando-se na própria respiração.

Instruções básicas:

1) Escolha um lugar tranquilo onde não o incomodem. Retira-se durante 20 minutos duas vezes ao dia.

2) Sente-se em uma posição cômoda que suporte seu peso, de modo que diminua a tensão muscular. Não se recomenda deitar-se porque é possível que adormeça. A questão é conseguir um estado físico como o sonho, mas estado acordado.

3) Feche os olhos durante dois minutos. Abra-os durante durante um minuto. Feche-os novamente durante mais dois minutos antes de começar a repetir o monossílabo (um).

4) Repita o monossílabo "um" em silêncio, em pensamento, como um ponto de concentração. Em caso de não conseguir repetir o monossílabo em silêncio, comece repetindo em voz alta e vá diminuindo gradativamente até que consiga uma repetição em silêncio.

5) Não julgue o conteúdo de seus pensamentos ou sua adequação. Não se preocupe com seus pensamentos nem tente controlá-los; são somente pensamentos aleatórios sem importância de significados nesse momento. Se tentar dar-lhes um significado nessa hora ficará ansioso e atrapalhará o procedimento.

6) Melhorará com a prática. É essencial que pratique de forma regular. Descobrirá que se fizer assim, obterá cada vez maiores níveis de relaxamento.

Fonte: Manual de Técnicas de Terapia

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Grupo de Ansiedade - Informativo 05


Ansiedade e problemas físicos


Vem sendo extremamente comum em nossa sociedade pessoas se queixarem de transtornos alimentares( obesidade, anorexia,...), distúrbios de sono, dores físicas pelo corpo, dor de cabeça e cefaléia, irritabilidade acentuada. Isto tudo tem algo a ver com a ansiedade?

Tudo! Veja que estas queixas são comuns a quem tem depressão ou pânico. Sinto que há uma ligação intensa entre a ansiedade e a tensão nervosa uma gerando a outra e desencadeando todos estes processos.


É comum inclusive a uma pessoa ansiosa sentir dores físicas por todo corpo sem origem definida. Assim fazem exames e os mesmos não mostram absolutamente nada.

Aqui é onde o emprego das técnicas de respiração, relaxamento e meditação são mais indicados. E cada um terá de descobrir sua forma para relaxar. O uso de substancias como álcool, drogas e calmantes para tal relaxamento é enganoso e falso como disse anteriormente apenas sintomático aumentando após seu efeito a tensão nervosa e gerando vício.


Fonte: Instituto Olhos da Alma Sã

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O co-dependente em seus relacionamentos

Algumas pessoas são ótimas observadoras; interpretam rapidamente as mensagens não-verbais e intuem as necessidades dos outros; acompanham vivamente as conversas com a missão de fazer o possível para satisfazer as necessidades alheias, sejam quais forem. Abandonam a si mesmas para ser uma espécie de camaleão que sempre terá a cor que o ambiente e os outros lhe designam, mesmo sem qualquer palavra dita. Não fazem críticas, não ficam zangadas, estão sempre satisfeitas, são sempre prestativas. Consideram-se inferiores e menos qualificadas que os outros, que recebem constantemente uma palavra de elogio e admiração. O que fazem não é bom o suficiente, o que pensam não é suficientemente inteligente para ser exposto, o que precisam não é suficientemente necessário ou realmente importante, o que falariam não é suficientemente valioso para merecer atenção. Preferem calar-se, raramente discordam ou começam uma discussão. As decisões são postergadas ao máximo, sendo preferível que outro as tome.

Críticas dos outros são insuportáveis, afinal se esforça em suprir tudo o que os outros precisam. Esperam que eles retribuam sua dedicação. Mas geralmente o cuidado e a atenção dispensada não são correspondidos e ai sobrevém uma severa cobrança do “não-foi-suficiente”, a busca pelo perfeccionismo, o peso da frustração, a culpa por ter falhado no atendimento das necessidades alheias, a confirmação do seu valor menor. Comportamentos autodestrutivos podem ser desenvolvidos como forma de punição. Pensamentos e sentimentos se escurecem e é premente o refugiar-se, isoladamente, para seu momento de martírio e para não incomodar ninguém com sua infelicidade.

Esse é uma parte do mundo do co-dependente. Sua percepção da realidade e de si mesmo estão desequilibradas, perturbadas, tendenciosas. Não se trata apenas de um aprendizado que não lhe foi dado, como reivindicar seus direitos, ser assertivo, “chorar para mamar”, expor abertamente seus desejos e necessidades. Trata-se de uma violência vivenciada pela circunstância, pela dinâmica estabelecida entre seus cuidadores e entre estes e a criança. A questão não é culpar os pais, porque muitas vezes também foram vitimas da mesma violência. A questão é designar à criança um papel, com obrigações e metas que não são cabíveis a ela, pela própria estrutura psicológica que está em formação. Não é papel de uma criança satisfazer necessidades dos pais, mas o contrário, devendo ser os pais suficientemente bons para garantir o alicerce necessário, atendendo as necessidades essenciais ao desenvolvimento saudável no âmbito bio-psico-social. É preciso que os pais tenham maturidade para não usarem a criança para atender suas necessidades egoístas.

A idéia de violência que uso aqui é a de privação imposta de direitos/condições básicas e necessárias. A privação de liberdade, de afeto e de poder são as raízes da violência em todas as formas conhecidas. Diante dessas privações fundamentais, a pessoa esforça-se para suprir suas necessidades essenciais dando tudo o que os outros precisam ou pensa que desejam, esperando que estes lhe dêem atenção e até cobrando isso. Espera e cobra também as retribuições por sua dedicação usando indiretas na fala, no tom de voz, na expressão corporal, nas chantagens e prisões emocionais. Facilmente se ressente, se frustra, se retrai, e nessa luta aceita até retribuições indiretas, insuficientes para suas necessidades já distorcidas pela carência, mas ainda assim, as migalhas emocionais são aceitas e o co-dependente se esforça para se contentar com elas.

Trata-se de uma pessoa co-dependente. Alguém que “intuitivamente” percebeu que precisava abrir mão de si mesma para obter um mínimo de afeto necessário para sua sobrevivência. É vitima de uma violência que não é percebida em nenhuma das partes envolvidas até que seja uma situação bem definida e, portanto, difícil de desenrolar. Não é simplesmente um aprendizado cultural, mas um resultado de uma dinâmica de relacionamento. Possivelmente um dos pais foi vítima da mesma situação; encontra um parceiro que o ajuda da manter esse papel e repassa à criança, no seu agir cotidiano, seu padrão de pensamento, sentimento e ação, que será modelo no desenvolvimento na criança. Não é questão de querer fazer isso, mas essas dinâmicas são fortes e influenciadoras, além de invisíveis a percepção. “os torturados tornam-se torturadores” e assim se perpetua um modo-de-ser-no-mundo. Muito cedo compreenderam, intuitivamente, que todos esperavam que fossem bonzinhos e se sacrificassem pelos outros...

Há a questão da aprendizagem pelo modelo da dinâmica do relacionamento dos pais, mas também, muito cedo a criança percebe que precisa ser outra pessoa para obter o afeto e aceitação de que precisa. Geralmente isso se mostra na “obrigação” de dar/demonstrar afeto e aceitação, e ser supridora de afeto e continente de um dos pais, ou de ambos, com é o caso das “crianças-chicletes” que nascem com a perversa e ingrata missão de unir o casal.

Na verdade, os que convivem com co-dependentes (cônjuge, amigos, filhos) nunca sabem exatamente o que eles pensam; eles próprios não sabem o que esperam do relacionamento, assim, qualquer coisa lhes basta, mas a insatisfação é constante, assim como a cobrança, os desapontamentos, as críticas, a sensação de confusão e de que algo está fora do lugar.
No casamento, é fácil que o co-dependente desempenhe o papel de dominado, numa relação desequilibrada, mesmo assim descrevendo sua união como feliz. Mas a falta de honestidade, a falta de intimidade verdadeira, a solidão, o medo, a abstenção, a falta da pessoa real no relacionamento faz apenas uma felicidade mascarada, com muito esforço para manter a máscara intacta.

Por Ettore Riter

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Grupo de Ansiedade - Informativo 04


Como tratar a ansiedade?

Isto vai depender diretamente do grau de intensidade da mesma no individuo. Cada caso é um caso. Em termos gerais nós do Instituto OlhosDaAlmaSã atuamos em duas frentes:

A) Sintomática- isto envolveria o emprego de medicação alopática, fitoterapia, homeopatia e técnicas de psicoterapia queixariam a retirada do sintoma. Isto minimizaria uma eventual crise. O emprego de técnicas de meditação, respiração, relaxamento também são utilizados.
Só que isto por si só não é suficiente. A pessoa ansiosa tende a migrar a ansiedade de um ponto a outro. Posso citar exemplos de pacientes obesos que migram sua ansiedade para uma anorexia nervosa ou casos de pacientes com pânico que migram sua patologia para uma depressão ou um transtorno obsessivo compulsivo. Isto ocorre pelo deslocamento do foco de origem da doença ou seja a ansiedade é deslocada pelo tratamento sintomático. Para evitarmos tal situação junto com o tratamento sintomático utilizamos a análise de Jung em que buscamos os fatores singulares que geram a ansiedade e que caracterizam cada caso como típico. O indivíduo terá de modificar sua personalidade, buscar uma harmonia interior com sua própria essência, resgatar sua qualidade de vida, e encontrar seu sentido de vida. Muitos problemas de ansiedade são gerados por que as pessoas não encontram sentido para as suas vidas e isto independe de classe social ou cultural. Outro fator que observamos que gera muita ansiedade são as crises afetivas extremamente comuns nos dias de hoje. Os relacionamentos estão a cada dia mais superficiais. Tudo isto são focos de trabalho individual que permeiam a análise e o terapeuta auxiliará o paciente a se encontrar no sentido mais amplo da palavra.
Saliento que a ansiedade só deixará de existir quando o indivíduo se harmonizar consigo mesmo e a análise profunda pode ajudar o indivíduo a conquistar isto.

Fonte: Instituto Olhos da Alma Sã