quarta-feira, 25 de abril de 2012

Filme: De Porta em Porta


Portland, Oregon, 1955. Apesar de ter nascido com uma paralisia cerebral, que cria limitações na sua fala e movimentos, Bill Porter (William H. Macy) tem todo o apoio da sua mãe para obter um emprego como vendedor na Watkins Company. Bill consegue o emprego, apesar de certa relutância devido às suas limitações, pois teria que ir de porta em porta oferecendo os produtos da companhia. Bill só conseguiu o emprego quando disse para lhe darem a pior rota. Primeiramente Bill é rejeitado pela pessoas "normais", mas ao fazer sua 1ª venda para uma alcóolatra reclusa, Gladys Sullivan (Kathy Baker), ele literalmente não parou mais. Por mais de 40 anos Bill caminhou 16 quilômetros por dia e, para ajudá-lo nesta trajetória, além da sua mãe e Gladys, surgiu Shelly Soomky Brady (Kyra Sedgwick).

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Filme: 127 Horas

Sinopse: é a história real do montanhista Aron Ralston (JAMES FRANCO) e de sua incrível aventura, em 2003, para salvar-se depois que uma pedra solta cai sobre seu braço e o deixa preso num cânion estreito e isolado de Utah. Durante seu suplício, que durou 127 horas, Ralston lembra-se de amigos, amores, da família e das duas excursionistas que conheceu antes do acidente. Nos cinco dias seguintes, Ralston luta contra os elementos naturais e seus próprios demônios; até finalmente descobrir que possui a coragem e a fortaleza para encontrar alguma forma de soltar-se, descer por uma encosta de vinte metros de altura e caminhar por mais de doze quilômetros até ser finalmente resgatado.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O PÃO E A FOME


Certa vez um pão caminhava tranquilo por uma estrada.

Estava extasiado, radiante, pois acabara de nascer de uma espiga de trigo selecionada e  sovada por um par de mãos bastante experientes naquele ofício, as mesmas mãos que haviam também semeado e colhido a espiga, além de construir  o forno, colher a lenha, acender o fogo e o assar na temperatura perfeita.

Em sua caminhada o pão notou que era muito observado por todos com quem cruzava,  isto o inquietava. Sabia de alguma forma que aqueles olhares lhe requeriam alguma coisa... não sabia o que! Mas havia algo a ser feito, faltava algo. Aqueles olhares o fazia se sentir interminado, incompleto, apesar da excelência que havia na sua criação.

Enquanto angustiava por uma resposta para sua inquietação aproximou-se dele uma boca, que como todos à sua volta, lhe observava e expressava tristeza!... Então ele lhe perguntou:

- Porque todos expressam tanta tristeza? Ao que a boca lhe respondeu: É a fome! O que é a fome? Perguntou-lhe, pois não a conhecia, jamais havia cruzado com ela.- “ É um monstro grande e atroz que pisa a inocência de todos causando-lhes profunda dor!”ela nos tira a dignidade e nos leva à morte.

Diante de tanta atrocidade o pão  ficou indignado, não sabia porque , parece que... meio  por instinto, era como se esse sentimento fizesse parte da sua natureza. Não sabia como, mas sentia que de alguma maneira  era o único que poderia vencer aquele algoz chamado “fome”. Mas como? O pão se perguntava!

Diante da dúvida de como fazê-lo, mas com a convicção de que o deveria, o pão então decidiu lutar! Mas com que arma? Não havia armas, não tinha nada além de si mesmo. Lembrou-se do trigo, da massa, do forno, a lenha... o fogo... as mãos... era tudo muito harmônico, aquelas lembranças eram muito boas, lhe  confortavam. - Mas e aqui? Olhando novamente todos à sua volta, um sentimento, estranho até então, lhe tomou e se sobrepunha as suas lembranças. Era a misericórdia, que agora o acometia.

Sentiu que a misericórdia o compelia a lutar. Mas não havia armas!..., se não a si mesmo! Diante da falta de armas resolve então dar a única coisa que dispunha... a si mesmo. Imediatamente partiu-se em dois e se deu à boca! A boca sorriu! Diante daquele sorriso sentiu-se capaz de reconquistar a alegria de todos. Imediatamente os  outros que o observavam tristonhos se aproximaram e ele também os municiou com a arma que dispunha, e todos sorriam, sorriam, outros vinham, ele os serviam e eles sorriam, e outros e outros... De repente se apercebe do que estava fazendo e pára pra olhar pra si mesmo. Notou que as pedras do forno o circundava novamente, sentiu o calor do fogo, sentiu que a espiga de onde viera o tomava,  a massa sovada adentrava à seu corpo, havia um renovo, ele não tinha fim... Mas como? se perguntava. Era uma experiência nova, impossível até então: Era o milagre!  Viu que quando se multiplicava em dois as suas duas partes eram seguradas pelas mãos e tinham  a forma das mãos, eram à sua imagem e semelhança.  Sentiu-se completo, pleno! E viu que as mãos o aplaudiam,  as mãos estavam com ele e o refaziam. Entendeu então que o trigo, a massa, a mesa, o forno, a lenha, o fogo, a coragem, a misericórdia, a luta, o milagre e o sorriso vinham das mãos, tudo foi criado por elas, que sem Elas nada poderia existir. Entendeu que tamanho poder com que lutava não vinha dos elementos que o compunham, mas das mãos que os criaram.

Voltando-se à batalha percebeu que a fome não suportava tantos sorrisos, tantos aplausos, era demais pra sua mesquinhez. O algoz estava vencido!

Viu finalmente que só havia uma coisa que podia fazer: Crer que era possível e decidir fazer.

E as mãos aplaudiam... E não houve mais fome nem tristeza... Só houve sorrisos!

Alderito Nogueira
Crgyn

quarta-feira, 7 de março de 2012

Dor


Só sabe o que é a dor aquele que a está sentindo. 
Passada a dor, ela fica na memória.
Passa a morar no passado.

GOSTO DA ADÉLIA PRADO por várias razões. É poeta. Tem o jeitão mineiro. E é teóloga. Sempre que ela fala sobre os mistérios do mundo sagrado eu me calo e medito. Quase sempre as palavras dela iluminam as minhas dúvidas. Sugestão para algum estudante que esteja à procura de tema para dissertação: “A Teologia da Adélia Prado”…

Mas hoje peço perdão. Discordo do que ela escreveu. Estava falando sobre a coisa mais terrível que há no mundo, o demônio, e foi isso, mais ou menos, o que ela escreveu. Digo “mais ou menos” porque não sei de cor e não posso consultar os livros dela que estão encaixotados, prontos para uma mudança, que julgo, será a última… Foi isso que acho que ela disse: “O céu será igualzinho a essa vida, menos uma coisa: o medo…” Tanta coisa boa! Não é preciso mais nada. O que está aí chega. Precisa só tirar uma coisa, uma única coisa, e a Terra se transformará no céu. Qual é o nome dessa coisa terrível? Ela responde: o medo.

Concordo. Mas acho que tem coisa pior, que é a causa de todos os medos: a dor. Nunca tive medo de cálculo renal. A despeito de nunca ter tido medo, ele veio, sem pedir licença e sem consultar se eu tinha medo ou não. Foi assim que conheci pela primeira vez a dor do inferno. Cessam todos os pensamentos. O corpo só deseja uma coisa: parar de sentir dor, a qualquer preço.

Dor não tem jeito de explicar. Bernardo Soares diz que tudo o que é sentimento é inexplicável. O artista, para comunicar seus sentimentos inexplicáveis, se vale de um artifício: invoca um sentimento “parecido”.
De que comparação vou me valer para explicar a dor a alguém que não a está sentindo? Só sabe o que é a dor aquele que a está sentindo, no presente. Enquanto a dor está doendo, meu corpo -não minha cabeça- sabe o que ela é. Passada a dor, ela fica na memória. Passa a morar no passado. Mas isso que está na memória não é conhecimento da dor porque o passado não dói. A memória da dor, por terrível que tenha sido, não me dá conhecimento da dor, depois que ela se foi.

Minha memória mais antiga de dor me leva de volta à roça onde vivi quando menino. Lembro-me, mas não sinto. Acho até engraçado. Era dor de dente. A dor fazia ele inchar até ficar do tamanho do universo- e eu, chorando, sem saber contar a minha dor, dizia que tinha inveja das galinhas que não tinham dentes… Foi meu primeiro encontro.

Mais tarde ela voltou sem se anunciar. Não a mesma. Cada dor é única. Chegou bruta, definitiva. Lutei usando as armas que se compram nas farmácias. Inutilmente. Levaram-me (nesse ponto eu já não era dono de mim mesmo; estava à mercê dos outros) então para o hospital. As injeções são mais potentes que os comprimidos. Aplicaram-me seis Buscopan. A dor não tomou conhecimento. Ficou mais forte. Comecei a vomitar. O médico, reconhecendo a derrota dos recursos penúltimos, dirigiu-se à enfermeira e disse o nome do último, nenhum mais forte: “Aplica uma Dolantina nele…”

Ela aplicou. Passados cinco minutos, senti a mais deliciosa sensação que tive em toda minha vida. Não era sensação de nada. Que me importava música, sexo ou flores? Era simplesmente a sensação de não ter dor. Pensei se essa euforia não deveria ser o estado normal da alma, sempre que o corpo não estivesse sentindo dor… Rindo e feliz, brinquei que o Paraíso morava dentro de uma ampola de Dolantina…

RUBEM ALVES

terça-feira, 6 de março de 2012

Filmes: nossa sessão

Uma nova sessão do nosso blog apresenta dicas de filmes relacionados aos temas da Caminhada de Recuperação.

Vale assistir e refletir.

Equipe CR